sexta-feira

Da janela pra cá

Ei você na janela,
Por que sangra tanto?
O que foi que te envenenou, te penetrou, onde você se machucou?
Não parecia mesmo um caminho fácil a ler com tantas linhas escorregadias e palavras amoladas.
Eu lamento.

Assim você vai sujar a bandeja e os lençóis. Resgatar a maçã e encharcar os guardanapos.
Eu lamento.

Sei que tudo isso tem um gosto péssimo, é sombrio e dá calafrios...
Mas não se pode deter um miocárdio amargurado.
Nunca se sabe até quando ele pode bombear tudo que se passa.

Nunca se sabe, oh Criança da Janela.

domingo

O Balanço que Transporta

Estava eu sentada no balanço com o meu avô. Conversando só para disfarçar, pois na verdade cada um somente pensava...
Ele, no passado; eu, no futuro.
Sobre medo de avião, sobre alturas e lonjuras, trens, cachoeiras. Acho que no meu caso o medo seria da cachoeira... ele tem medo do avião, da altura. Ele põe a mão no rosto, olha pro longe e fala "Não, tenho medo...."
Eu repouso a cabeça no ombro dele e fico pensando.
As coisas que sempre dizem para mim: sacrificio, distâncias, tempo. Não tenho medo de nada disso. Tem gente que demora anos para encontrar alguém que a faça feliz. Eu demoro seis horas. Isso é sacrifício?
Meu avô demorava três dias de trem para chegar aonde ia estudar. E gostava. Isso é sacrifício?

Não para mim, não para ele.
O importante é fazer o que se sente que deve fazer.



Às vezes podemos ter mil coisas a fazer, mas vale a pena ficar sentada num balanço somente pensando, enquanto se ouve um córrego e se sente uma presença pacifica.

terça-feira

"É disso que eu preciso"

Perguntei a ela o que ela tinha achados dos anos 70. Ela não soube responder...
"Ahhh a melhor epoca da minha vida foi quando eu morava no Rio! Não tinha nada, era pobre, mas o Rio me deixava feliz! Aquele tumulto, aquela muvuca, aqueles assaltos...adorava!"
E vem uma serie de historias "Eu sempre avisava aos turistas sobre os assaltos que viriam! Adorava desespera-los."
These are crazy, crazy, crazy, crazy dinners.

sábado

E se

E se você me der uma dose, eu a devoro.
E se você me der uma porção, eu a sorvo de uma vez.

E se me pedir, eu lamento.
E se disser que eu tenho, eu rio.

Isso que me consome, esse vicio que me segura, essa coisa que eu quero e não quero.

Para quê, para tudo. Sem ele nada é possível. E eu aqui sem ele.
Eu aqui com ele, sem usa-lo para o exigido.

Chega um momento em que a mente não suporta, ja não sabe para que serve, se é para tudo ou para nada.

Ah, Tempo, venha para mim, sorrindo por favor.

domingo

Prezada

Prezado(a) CAROLINA ROBERTA VAZ DOS SANTOS,

Registramos a chegada dos dados relativos ao seu pedido de inscrição no
Concurso Vestibular UFF/2010. Confira seus dados com atenção:
Nº do Requerimento: *****
Nº de acompanhamento do ENEM 2009 : *****
Curso : COM.SOCIAL-JORNALISMO
Turno : TN
Língua Estrangeira: ING - Ingles


Sinto como se alguem estivesse reconhecendo meus anseios mais honestos.
Aiai...

quarta-feira

-Ar

Esperar, esperar,
lagrimar,
horariar,
decepcionar,
julgar,
planejar,
desistar,
julgar,
condenar.

E agora, quem diria
ação debutante
já sem força nos sentidos
ousa,
ah, ousa sim,
procurar
admirar
com o amarelo e o castanho.
Estranho.



PS: catando migalhas na estrada e espalhando o desamor.

domingo

Mas eu não posso passar

Sabe, tiraram a fechadura... a porta continua la, mas trancada e sem fechadura.
Uma porta trancada que eu não posso mais abrir...
Pertence ao meu lar, mas eu não posso passar a qualquer hora mais.
Não posso visitar e nem ser visitada por duas pessoas, ja velhinhas, que eu tanto amo... não posso mais fazer isso atraves de uma unica e magica porta de ferro.
Portas de ferro são complicadas demais, olha só no que dão.

Estava tudo muito bem e apareceu uma outra pessoa assumindo tudo com pura obrigação e sem uma dose de sensibilidade e fechou a minha porta.
Eu posso ouvir tudo que se passa la, mas agora tenho que fingir que ja não é da minha conta.

Não posso chegar la de pijama a qualquer hora para dar um alô, ou atender um telefonema que é para mim mas atenderam do lado de la.
Não posso chegar de repente cheia de coisas nas mãos pedindo pra tomar banho porque queimei o chuveiro da minha casa.

Não tem mais a porta, teoricamente não tem mais a dependencia e nem a comunicação.
Agora, tenho que atravessar cerca de 6 outras casas para chegar ao outro pedaço do meu lar.

Como eu queria, como eu queria a fechadura e a chave de volta.
O outro pedaço do meu lar, a outra parte da minha familia, eu as quero de volta, a apenas um metro de mim.

Um metro, uma chave, são as coisas que eu peço.
Em meu pedido de hoje de desaniversario, acho que vou escolher essas coisas.


obs.: Tem horas que a gente se pergunta, por que é que não se junta tudo numa coisa só?