domingo

O Balanço que Transporta

Estava eu sentada no balanço com o meu avô. Conversando só para disfarçar, pois na verdade cada um somente pensava...
Ele, no passado; eu, no futuro.
Sobre medo de avião, sobre alturas e lonjuras, trens, cachoeiras. Acho que no meu caso o medo seria da cachoeira... ele tem medo do avião, da altura. Ele põe a mão no rosto, olha pro longe e fala "Não, tenho medo...."
Eu repouso a cabeça no ombro dele e fico pensando.
As coisas que sempre dizem para mim: sacrificio, distâncias, tempo. Não tenho medo de nada disso. Tem gente que demora anos para encontrar alguém que a faça feliz. Eu demoro seis horas. Isso é sacrifício?
Meu avô demorava três dias de trem para chegar aonde ia estudar. E gostava. Isso é sacrifício?

Não para mim, não para ele.
O importante é fazer o que se sente que deve fazer.



Às vezes podemos ter mil coisas a fazer, mas vale a pena ficar sentada num balanço somente pensando, enquanto se ouve um córrego e se sente uma presença pacifica.

Um comentário:

Thiago disse...

Hummm...
Belo texto, Carol.
Adoro quando você expressa seus sentimentos em textos assim.
Esses são os que me deixam com o pensamento alegre, feliz e seguro.
Eu também tenho medo de inúmeras coisas, mas chega uma hora em nossas vidas que temos que encarar... e o melhor é que descobrimos depois a nossa força, o nosso gosto e orgulho.
Para mim, sacrifício é ficar anos esperando uma possibilidade remota de alguém aparecer e nos fazer amar e sorrir sem medo.