sexta-feira

Indesejados Espelhos

Chega um momento.
Chega um momento na sua vida em que você percebe que há pessoas exatamente como você. Pessoas com os mesmos anseios e as mesmas capacidades. E embora você acredite que passou anos da sua vida esperando e procurando por elas, na verdade você não as deseja.
Não quando você percebe que lhe faz mal ser menos "d'elas", menos disso que você e elas são. Você é menos.
E sua capacidade, suas conquistas, sua pueril auto-estima, já não são suficientes. Porque o mundo desdiversificou, seus espelhos surgiram e você não os quer, assim, tão grandes e óbvios.
Há um lugar para você no... mundo? Em que mundo? Será que você ainda deseja esse lugarzinho reservado pra você nesse tal de mundo? Pois então é ideal para você, premeditado?
Um lugar, sempre há. Basta saber se ele é realmente seu.

quarta-feira

A Magia do Dobro

Juro-te: ontem senti teu cheiro. Lembra-te, de que eu sempre digo, que nunca esteve em ti de novo o perfume do primeiro encontro, mas de vez em quando ele aparece e me assombra? Pois ocorreu. Desesperou-me, agitou-me.
Sabe, parece que nunca teus olhos estiveram tão brilhantes como desta última vez. Brilhavam, brilhavam demais, e apaixonavam-me. Quem sou eu, tão perto assim desta criatura tão linda?
Tu és um trevo de quatro folhas.
O menininho no carrinho de pedalar, pedalando por diferentes mundos e seres.
Não tens idade... não para mim. Não tens classificação, não entra em nenhuma, não padroniza, ah não.
Manias, vícios, algemas e sonhos.
Vem brincar comigo. Vem tomar um danone da infância e colocar barulhos em nomes.
Vem, encara-me e lê esses olhos. Diz o que lê.
Machuca meus dedos com seus aneis de sultão, acaricia-me o rosto com sua barba atemporal.
Vem e tem gosto de morango doce. Encanta-me...

Encanta-me com teu cheiro.
Quebra-me com teus olhos, quando procuram os meus, parados no extremo da passarela, vendo ir embora. Meu bem, tem-se que ir embora para um dia voltar. Sem despedida não há volta.
E quantas voltas, e que voltas... ser recebida, derrubada e beijada. Poderia ser melhor, poderia?

Amo-te, amo-te com intensidade. Sou uma apaixonada.
Humanos perguntam: mas, é possível?
E não seria? Entre eu e você, poderia não dar certo?
Meu melhor amigo, doloroso quando inimigo.
O braço que enlaça minhas costas, os olhos que me sugam, as pernas que me derrubam, o sorriso que me cativa, o toque que arrepia. A imagem que me faz tremer.
Meu anjo, meu protetor, meu amor, meu Peter Pan.

Eu e você.
Duas almas, dois sorrisos, dois corações, dois anos.
Quem diria? Eu diria.
Você é meu sonhos realizado, o parceiro desejado, ideal pra mim você é.

Amo você, meu doce Thiago.

sábado

Mutilação

E era o que sempre faziam com ela.
Conquistavam-na, eram conquistados inesperada e intensamente, adoravam-na.
Mais tarde, as coisas mudavam, ah sim... era ela sempre insuficiente.
Por mais que ela sorrisse, apoiasse, fizesse piadas e histórias, mentisse para alegrar, pulasse barreiras e se preocupasse, não, nunca era dedicada. Afinal, isso é modo de agir? Isso é coisa que se sincere? Por que não pode ser como todo mundo? Por que tem que ser tão errada e pensar só em si?
Dá-me teu tempo, dá-me teu corpo, dá-me teu futuro, dá-me teu mar, tuas escolhas, teus destinos, tuas preferências, tua expressão.
Venha sorrindo e aceitando, sempre. Isso, assim, Linda.

quarta-feira

Os lares que abandonei

Os lares que abandonei e terei abandonado.
Grandes lares, acho eu. Sempre com espaço suficiente para mim e quem mais quisesse estar acolá.
Meus belos lares de paredes brancas, relogios de ponteiro sem sentido - como é isso agora?? Eu, nesta copa senil, ouvindo apenas o relógio, não sinto o tempo passar?? - , frutas azedas e proverbiais, pianos e órgãos ou simplesmente uma máquina de costura com pedal, poucas janelas e muito ar e luz. Lares de correr pelo quintal, andar descalço, ler gibis em momentos intrigantes, delatar o fogo, delatar o irmão, apartar os primos, desenhar por cima do original, observar as mesmas fotos de sempre com os mesmos protagonistas maravilhosos e para sempre amados. As vezes silêncio, as vezes os passaros, as vezes a voz muda, as vezes gritos de crianças, as vezes risos juvenis.
O meu lar, meu grande lar da arvore de Natal que permanecia anos inteiros, da horta placebo, dos morcegos repentinos, da bola do vizinho. Das janelinhas que nunca terminei de contar, os peixes que nunca alimentei, o braço que nunca quebrei. Meu lar, para sempre, meu lar. Seja qual for a cor, ou o cachorro, ou a campainha, aquele sera sempre meu.
Tambem serão para sempre meus o lar do quintal de cincoenta metros, o lar dos - Uau!! - quartos separados, o lar da estrada, e o lar dos olhos brilhantes.

Lares, pares, mares, familiares.
Que venham mais, que fiquem estes, para sempre lares acolhedores de quem quer que queira sentir.

sexta-feira

Da janela pra cá

Ei você na janela,
Por que sangra tanto?
O que foi que te envenenou, te penetrou, onde você se machucou?
Não parecia mesmo um caminho fácil a ler com tantas linhas escorregadias e palavras amoladas.
Eu lamento.

Assim você vai sujar a bandeja e os lençóis. Resgatar a maçã e encharcar os guardanapos.
Eu lamento.

Sei que tudo isso tem um gosto péssimo, é sombrio e dá calafrios...
Mas não se pode deter um miocárdio amargurado.
Nunca se sabe até quando ele pode bombear tudo que se passa.

Nunca se sabe, oh Criança da Janela.

domingo

O Balanço que Transporta

Estava eu sentada no balanço com o meu avô. Conversando só para disfarçar, pois na verdade cada um somente pensava...
Ele, no passado; eu, no futuro.
Sobre medo de avião, sobre alturas e lonjuras, trens, cachoeiras. Acho que no meu caso o medo seria da cachoeira... ele tem medo do avião, da altura. Ele põe a mão no rosto, olha pro longe e fala "Não, tenho medo...."
Eu repouso a cabeça no ombro dele e fico pensando.
As coisas que sempre dizem para mim: sacrificio, distâncias, tempo. Não tenho medo de nada disso. Tem gente que demora anos para encontrar alguém que a faça feliz. Eu demoro seis horas. Isso é sacrifício?
Meu avô demorava três dias de trem para chegar aonde ia estudar. E gostava. Isso é sacrifício?

Não para mim, não para ele.
O importante é fazer o que se sente que deve fazer.



Às vezes podemos ter mil coisas a fazer, mas vale a pena ficar sentada num balanço somente pensando, enquanto se ouve um córrego e se sente uma presença pacifica.

terça-feira

"É disso que eu preciso"

Perguntei a ela o que ela tinha achados dos anos 70. Ela não soube responder...
"Ahhh a melhor epoca da minha vida foi quando eu morava no Rio! Não tinha nada, era pobre, mas o Rio me deixava feliz! Aquele tumulto, aquela muvuca, aqueles assaltos...adorava!"
E vem uma serie de historias "Eu sempre avisava aos turistas sobre os assaltos que viriam! Adorava desespera-los."
These are crazy, crazy, crazy, crazy dinners.