quarta-feira

Os lares que abandonei

Os lares que abandonei e terei abandonado.
Grandes lares, acho eu. Sempre com espaço suficiente para mim e quem mais quisesse estar acolá.
Meus belos lares de paredes brancas, relogios de ponteiro sem sentido - como é isso agora?? Eu, nesta copa senil, ouvindo apenas o relógio, não sinto o tempo passar?? - , frutas azedas e proverbiais, pianos e órgãos ou simplesmente uma máquina de costura com pedal, poucas janelas e muito ar e luz. Lares de correr pelo quintal, andar descalço, ler gibis em momentos intrigantes, delatar o fogo, delatar o irmão, apartar os primos, desenhar por cima do original, observar as mesmas fotos de sempre com os mesmos protagonistas maravilhosos e para sempre amados. As vezes silêncio, as vezes os passaros, as vezes a voz muda, as vezes gritos de crianças, as vezes risos juvenis.
O meu lar, meu grande lar da arvore de Natal que permanecia anos inteiros, da horta placebo, dos morcegos repentinos, da bola do vizinho. Das janelinhas que nunca terminei de contar, os peixes que nunca alimentei, o braço que nunca quebrei. Meu lar, para sempre, meu lar. Seja qual for a cor, ou o cachorro, ou a campainha, aquele sera sempre meu.
Tambem serão para sempre meus o lar do quintal de cincoenta metros, o lar dos - Uau!! - quartos separados, o lar da estrada, e o lar dos olhos brilhantes.

Lares, pares, mares, familiares.
Que venham mais, que fiquem estes, para sempre lares acolhedores de quem quer que queira sentir.

sexta-feira

Da janela pra cá

Ei você na janela,
Por que sangra tanto?
O que foi que te envenenou, te penetrou, onde você se machucou?
Não parecia mesmo um caminho fácil a ler com tantas linhas escorregadias e palavras amoladas.
Eu lamento.

Assim você vai sujar a bandeja e os lençóis. Resgatar a maçã e encharcar os guardanapos.
Eu lamento.

Sei que tudo isso tem um gosto péssimo, é sombrio e dá calafrios...
Mas não se pode deter um miocárdio amargurado.
Nunca se sabe até quando ele pode bombear tudo que se passa.

Nunca se sabe, oh Criança da Janela.

domingo

O Balanço que Transporta

Estava eu sentada no balanço com o meu avô. Conversando só para disfarçar, pois na verdade cada um somente pensava...
Ele, no passado; eu, no futuro.
Sobre medo de avião, sobre alturas e lonjuras, trens, cachoeiras. Acho que no meu caso o medo seria da cachoeira... ele tem medo do avião, da altura. Ele põe a mão no rosto, olha pro longe e fala "Não, tenho medo...."
Eu repouso a cabeça no ombro dele e fico pensando.
As coisas que sempre dizem para mim: sacrificio, distâncias, tempo. Não tenho medo de nada disso. Tem gente que demora anos para encontrar alguém que a faça feliz. Eu demoro seis horas. Isso é sacrifício?
Meu avô demorava três dias de trem para chegar aonde ia estudar. E gostava. Isso é sacrifício?

Não para mim, não para ele.
O importante é fazer o que se sente que deve fazer.



Às vezes podemos ter mil coisas a fazer, mas vale a pena ficar sentada num balanço somente pensando, enquanto se ouve um córrego e se sente uma presença pacifica.

terça-feira

"É disso que eu preciso"

Perguntei a ela o que ela tinha achados dos anos 70. Ela não soube responder...
"Ahhh a melhor epoca da minha vida foi quando eu morava no Rio! Não tinha nada, era pobre, mas o Rio me deixava feliz! Aquele tumulto, aquela muvuca, aqueles assaltos...adorava!"
E vem uma serie de historias "Eu sempre avisava aos turistas sobre os assaltos que viriam! Adorava desespera-los."
These are crazy, crazy, crazy, crazy dinners.

sábado

E se

E se você me der uma dose, eu a devoro.
E se você me der uma porção, eu a sorvo de uma vez.

E se me pedir, eu lamento.
E se disser que eu tenho, eu rio.

Isso que me consome, esse vicio que me segura, essa coisa que eu quero e não quero.

Para quê, para tudo. Sem ele nada é possível. E eu aqui sem ele.
Eu aqui com ele, sem usa-lo para o exigido.

Chega um momento em que a mente não suporta, ja não sabe para que serve, se é para tudo ou para nada.

Ah, Tempo, venha para mim, sorrindo por favor.

domingo

Prezada

Prezado(a) CAROLINA ROBERTA VAZ DOS SANTOS,

Registramos a chegada dos dados relativos ao seu pedido de inscrição no
Concurso Vestibular UFF/2010. Confira seus dados com atenção:
Nº do Requerimento: *****
Nº de acompanhamento do ENEM 2009 : *****
Curso : COM.SOCIAL-JORNALISMO
Turno : TN
Língua Estrangeira: ING - Ingles


Sinto como se alguem estivesse reconhecendo meus anseios mais honestos.
Aiai...

quarta-feira

-Ar

Esperar, esperar,
lagrimar,
horariar,
decepcionar,
julgar,
planejar,
desistar,
julgar,
condenar.

E agora, quem diria
ação debutante
já sem força nos sentidos
ousa,
ah, ousa sim,
procurar
admirar
com o amarelo e o castanho.
Estranho.



PS: catando migalhas na estrada e espalhando o desamor.